" Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar...


Clarice Lispector.


sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Que onda é essa?

  

 Para o mundo que eu quero descer! 

           Que onda é está que insiste em nos afogar?  

Vivemos um momento delicado como espécie humana estamos perdendo nossa humanidade e empatia. Mergulhados na mais extrema polaridade somos manipulados pelo separatismo político e ideológico..... 

                         A obscuridade do ódio cegou as pessoas a ponto de aniquilar os que não pensam como elas, reduzindo uns aos outros como animais soltos na savana, dispostos a  devorar quem invadir vosso habitat, abatendo a tiros a qualquer um. 

                      Parece que algum botão foi acionado e instalaram o caos permitindo que as ideias e pensamentos mais baixos viesse a tona, e com a chancela da bíblia a bala tornou a razão para tudo. A pequenez humana libertou-se  ganhando passe livre para reinar e inacreditavelmente a consequência disso tudo, está estampado nas manchetes cotidianas, verdadeiros absurdos e mais absurdos.

                     As mídias sociais usadas como ferramenta que só disseminam o ódio, escancaram o preconceito e notícias falsas, com suas barbáries tornam-se verdades absolutas.. 

                          Decretaram o apartheid social e a caça declarada está aberta, a onda agora é acabar com os direitos humanos. Os atores do golpe desdenham da nossa cara, chamando de mimimi de gente preta os gritos que ecoam pelas ruas. Tanta intolerância que  faz dar voz a falsos messias, gente rasa sem escrúpulos e humanidade.
Presenciamos dia após dia a nossa gente ser dizimada, desrespeitada e  aniquilada. Nos colocam em caixinhas em nome do equilíbrio social, do chamado  resgate aos valores tradicionais, a volta da ordem social. 
 Esse discurso é muito parecido com o de um certo ditador que dizimou milhares de vidas. Mas que lugar é este? Que caixinha é esta?  Nos morros, no sistema prisional, longe dos bancos escolares, nos guetos, cortiços, barracos ou em senzalas? 
Vivemos o maior êxodo humanitário que assola todo o mundo. E qual a ordem disso tudo? Que direitos são estes garantidos a uma única raça?

                           Tentamos resistir mesmo diante de tanta intolerância e desrespeito,  sobrevivemos a margem desta sociedade hipócrita e feroz. Hipócrita pois acredita fortalecer seus valores, embebedados no ranço patriarcal e burguês de vossos berços. Feroz, pois é a lei deles que prevalece.  

                            Alimentamos o ódio e esquecemos o diálogo, estamos cegos. A palavra de ordem desta era é a violência, devemos exterminar aquilo que não suportamos os negros, pobres, nordestinos e mulheres, pois assim, tornamo-nos um exercito de acéfalos, prontos para apoiarmos os generais e capitães salvadores da pátria. Estamos desprovidos de humanidade. Que onda é esta? Que fim dos dias são estes?

   Assistimos incrédulos nossa juventude em números alarmantes tirando a própria vida sem compreendermos o porquê. Nossas crianças, mulheres e homens sendo abatidos a tiros nos morros e nas periferias como se fossem animais num safári na África. Abandonados pelas políticas públicas e lembrados somente no pleito eleitoral, uma verdadeira enxurrada de promessas vazias que alimentam esta onda nojenta . 

                        Nós mulheres temos nossos lares  devastados pelo feminicídio, nunca nos mataram e nos violentaram tanto como agora, e o pior de tudo, parece não termos voz. Voltamos a ser objeto nas mãos destes animais que usam nosso corpo e gozam em nossa dignidade nos mais diversos lugares, seja a luz do dia ou no silêncio da noite, somos vítimas.

                         E me diz! O que adianta ligar 180 se é um homem que nos atende do outro lado da linha? Procurar uma delegacia para formalizar uma queixa se é um delegado que debocha da nossa dor. A lei é machista e protege o agressor. 

Será que estamos anestesiados? Porque não reagimos? Que onda conservadora que legitima e justifica todo este retrocesso, que só faz crescer a dor e  a indiferença. Uma onda que mata, discrimina, açoita diretos, limita a nossa existência, nos reduzindo a milhares de esfomeados, desempregados, analfabetos, sem tetos e pedintes por toda parte. 

Crescem os defensores da família. Pergunto-me que família? A deles certamente, porque a maioria das famílias brasileiras não é.... Propagam-se cenas inimagináveis em pleno século 21! Oh dona juíza, vossa excelência manda algemar a Advogada negra na plenitude do exercício da sua função em pleno tribunal. Uma advogada branca jamais teria tal tratamento. E o seu juiz do jogo de tênis? O que foi aquilo? 

Realmente a mulher volta a ser mero produto, estereotipada, julgada e sentenciada pelo crivo desta onda machista e misógina. Que Brasil é este? E a Rede Bobo  ainda pergunta-nos a toda tempo: que Brasil queremos para o futuro? Será que nos dão o direito de sonharmos com um futuro? Que futuro nos aguarda?

A apologia a todas as atrocidades está em alta, tem até candidato a presidência da república defendo a tortura, vomitando asneira que jamais deveriam ser ditas por um ser humano, quiçá por um candidato a  chefe de uma nação.

                         Compactuamos com tudo isso sem muito fazer.....vemos em rede nacional o mando e desmando de uma sistema politico que perpetra a corrupção e legisla em causa própria. E quem nos defende? A intervenção militar? O congresso nacional em sua maioria um covil de ladrões e aproveitadores? O clã de toga preta que com maestria defende o mar de impunidade em que vivemos?


Mais do que nunca temos que ser ativistas, ativistas do que é certo, denunciando aquilo que atenta contra a perda de direitos, contra aquilo ou aqueles que violam o direito a vida, a liberdade, ao respeito, ao amor, ao humano. Não podemos nos  calar, compactuando com esta onda retrograda que insiste em nos afogar!

                                                          #IssoNão!
                                                #EleNão!