" Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar...


Clarice Lispector.


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Neuras...



Ela cortou o cabelo desejando leveza.....

Colocou nas madeixas a responsabilidades de livrá-la do peso, peso este que não sabia ao certo, porém, após elencar algumas causas, nomeou fio a fio com cada um deles e num piscar de olhos, foi-se a cabeleira...

 O cabelo ao mesmo tempo que sempre fora seu amuleto de força, tornou-se mártires em sua busca implacável pela tal leveza, chegou em casa com a sacola cheia e a cabeça leve....
  

Qualquer outra simples mortal, procuraria facilmente um Terapeuta ou um Endócrino quem sabe! Talvez, estaria ali a chave para a resolução do excesso de peso, ela, porém, não quis empregar a outro tamanho poder....

 Certa de que não aguentaria esperar sessões infindáveis de muito blá..blá..blá...designou a tesoura sua Terapeuta e simples assim, problema resolvido!

Confesso que amei o novo corte, mas cá entre nós, será que um Terapeuta não garantiria melhor resultado.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Fluidez.....






Observo o tempo e tenho certeza da sua força, força capaz de criar e transformar tudo a nossa volta. Hoje carrego em mim a certeza de que opiniões, posturas e valores não são definitivos, podemos mudá-los ao longo da nossa existência pelo simples fato de estarmos vivos e em constante transformação. 
 Esperei por anos para ver a aceitação acontecer pacientemente, quase duas décadas para presenciar o triunfo do amor e a derrocada do pré- conceito ruir diante de mim.
Comungamos com o tempo e silenciosamente fomos engendrando nosso estar, construindo nossa vida, tecendo nossas redes de segurança e apoio mútuo. Confesso que meio reclusas mas necessário, pois precisava protege-la dos que teimavam em julgar e recriminar a vida alheia. Nunca esperarmos nada de ninguém e isso nos fez donas da nossa vida. 
A cólera dos seus não nos tornaram indiferentes ao outros, pelo contrário, fomos guiadas pelo respeito aos nossos, zelamos da melhor maneira possível por todos. Preservamos nossa intimidade para que ninguém fosse exposto ou subjugado pelas falácias e maus dizeres alheios e não erramos em ser assim.
Caminhamos por anos a sós, fomos edificando nossos valores, embasando nosso coabitar na certeza do amor que nos constitui. Criamos seus tesouros que  tornaram-se duas mulheres dignas de ser e estar onde quiserem, pois possuem como premissas respeitar a todos e Amar sem medo.
Hoje presenciamos a fluidez das relações, vemos novos amores sendo vividos e quer saber, somos as precursoras desta liberdade, felicito-me pelas quedas, a queda dos rótulos, do preconceito, dos julgamentos, da soberba, da intolerância e de tantas outras palavras e sentimentos que foram ruindo com o tempo e pelo tempo.
 Felicito-me pelos nossos possuírem a liberdade de ser e amar quem quiserem, sem medo de apedrejamentos, fogueiras ou segregados a invisibilidade dos intolerantes. Hoje qualquer um pode transitar e estar entre todos sem medo, pois os preconceituosos compreenderam que não se escolhe quem amar e que o amor não destrói famílias e nem corrompe ninguém. Cada um busca a melhor maneira de ser e estar e fazer feliz,  seja com quem for....
Um brinde ao tempo e ao Amor, pois somente eles são capazes de nos redefinir. As sementes que plantamos há décadas germinaram e logo florescerão, enfeitando os lares dos que já se opuseram a nós, perfumando os lugares com respeito e aceitação, agregando cada vez mais pessoas livres e felizes para fazerem suas escolhas.
 Viva o tempo senhor das mudanças que nos fez perseverar na força do Amor!

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Calar....



Por meses silenciei as palavras, feri e fui ferida por elas. Resolvi sepultar minhas linhas guardando-as somente em mim, com o único intuito de garantir a paz e dias de calmaria. Achei que não escreveria mais.
Minhas palavras sempre foram as ferramentas do meu exercício pleno de liberdade, porém transformaram-se em prisão, pois de alguma forma, ousaram despertar muito mais que reflexões, ousaram ir além do que imaginei com elas.
Silenciei por medo, por zelo, por respeito e amor, porque de alguma forma as minhas palavras voltaram-se contra mim, perturbando os dias e instaurando conflitos  sentimentos dos quais jamais desejei. 
Sem vergonha alguma coloco-me diante de ti e peço desculpas pelos desencontros e tantas outras coisas que causei. Preferi calar, recolhi meus devaneios e esperei, esperei que a lucidez, a sensatez nos reencontrassem para que a confiança e a segurança retornassem,  pois sem elas é impossível relacionar-se.
Comunguei com o tempo, busquei em mim razões que fizessem estar aqui novamente e decidi continuar ousando. Preciso viver tomada por uma matizes de sentimentos que as relações humanas me traz, e é no relacionar-se que dialogo com a vida, que os questionamentos me alimentam e teço linhas e teias que me conectam ao mundo. 
E como calar? Transbordam em mim certezas, dúvidas, medos, felicidades, angustias, prazeres, desejos e amores. Sou movida por amor e naturalmente quando agente sente, sente, mas  cá entre nós, somos todos movidos por amor, não?
Minha alma transborda...meus pensamentos buscam formas e maneiras de demonstrar a ti o que sinto. E talvez, você jamais seja capaz de compreender o que me move, mas saibas que te amo e amo por demais da conta. Amo desde as pequenas coisas que faço em meu cotidiano, até os meus devaneios mais sinceros e inconfessáveis.
E quando os dias complicados trouxerem as dúvida e incertezas, saibas que te imortalizei em minhas palavras e o tempo poderá passar, os dias iniciarem e findar-se, os anos transcorrerem, a vida seguir, você sempre estará em mim. Nas tarde e manhãs leia-me e me compreenderás, revisite cada palavras e verás a si mesma, transbordando, presente e mais viva do que nunca em mim. 
Não duvide do quanto sinto, as minhas palavras é a maneira mais simples de demonstrar e mesmo que você não compreenda o que elas dizem, permita-me escrever sem ser julgada, analisar, sentenciada  ou seja lá, o que pode passar pela sua cabeça. Deixe-me aqui, livre para poder voar, mesmo que seja em minhas linhas.