" Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar...


Clarice Lispector.


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Subversívos

 





É interessante pensar em como os ditos conservadores adoram apontar o dedo para a vida alheia...


Sentem-se empoderados em julgar tudo aquilo que foge dos padrões estabelecidos por eles...


Mas basta que ninguém esteja olhando e lá estão eles....


Sendo gente como qualquer um de nós, dando vazão para aquilo que realmente desejam ou querem....


Bebericando na fonte de tudo aquilo que nos faz humano, gente como outra qualquer, que não estão imunes a provar da gula, inveja, ira, soberba, luxuria, preguiça  ou ao amor livre.....
Eles vivem e praticam exatamente aquilo que blasfemam...


Nós, meros mortais, os ditos subversivos como somos rotulados pelos ditos cidadãos de bem, somos certamente e infinitamente pessoas melhores, pois não perdemos tempo apontando e nem julgando os atos de ninguém......

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Abaixo deste céu somos todos iguais....  

sábado, 28 de março de 2020

Um dia de cada vez...



O dia tem durado muito mais que 24 horas e viver um dia de cada vez tem sido um grande desafio
nos dias de hoje...

O mundo vive a pandemia de um vírus ainda desconhecido, a falta de informação, agregada a desinformação propositiva nos amedronta ainda mais....
Estamos todos assustado com o poder letal deste vírus... Só nos resta acompanhar  diariamente a coletiva de imprensa do Ministério da Saúde a informar sobre o aumento dos números de casos e mortos...Socorro! 

Uma avalanche de descalabros nos soterram, chega a falta ar!!! Levados pelo medo a desinformação cresce junto com o contágio e perdemos a sanidade. Uns acreditam no Messias e outros na ciência. Povo perdido, desgovernado, acuado, assustado e faminto....

A letalidade desta doença nos assusta e aterroriza ao mesmo tempo, e o tempo exatamente ele que tanto nos faz falta e hoje parece esticar-se nos leva a reflexão. Por quanto tempo estaremos confinados? Por quanto tempo viveremos acuados? Por quanto tempo nos sentiremos ameaçados com a possibilidade da perda que nos paralisar?

E são tantas perguntas sem respostas.......

O mundo desacelera, as nações se isolam, as portas se fecham sem data para reabrir. O distanciamento é preciso. Equipes médicas lutam para salvar vidas incessantemente e mesmo assim, presenciamos caminhões do exercito transportando corpos e mais corpos para igrejas e fábricas, que se transformaram-se em necrotérios, pois não existe mais espaço para acomodar tantos corpos sem vida.

Famílias sofrem por suas perdas, choram seus mortos sem a possibilidade de uma despedida, sem um último adeus .....

Ruas vazias, cidades sem o seu ir e vir tão natural da atividade humana, estamos assim, inertes, paralisados pela devastação. Pessoas e famílias confinadas em vossos lares e a vida ganha um novo significado....

Em tempos de smartphones a presença tornou-se demodê. Será? Foi necessário um vírus nos parar para termos a certeza que não!  

E quanta saudades, quantos vazios e ausências? Só damos valor as coisas quando as perdemos ou nos é impostos limites. Nunca um abraço fez tanta falta, a presença se fez tão importante. As relações ganharam um novo olhar, passamos a valorizar todo e qualquer ato e demonstração de afeto, as limitações impuseram um novo vir a ser.... 

Porém, com toda a dor e vazio é  mais que necessário nos isolarmos e redobrarmos nossos cuidados.  O isolamento social garantirá a diminuição do contágio, estamos preservando vidas e devemos continuar assim........

Como se não bastasse a doença, testemunhamos a letalidade moral, psíquica e humanitária da política brasileira. Quanto oportunismo e apatia, quão pequena é a importância da vida humana para alguns....

 Por sorte ou desgraça de uma minoria o vírus que não escolhe quem infectar....  Ele não faz distinção de classe, gênero ou raça. A ameaça é avaliada por alguns como pura histeria, para outros a saúde financeira é mais importante que a necessidade de se preservar vidas e para você? O que é mais importante?

Triste de nós, simples massa de manobra e mão de obra periférica, preta ou migrante, vidas não importa, precisamos da força do seu trabalho. Mesmo sendo a força motora desta nação, seremos nós os mais expostos, somos nós os mais fragilizados e dependentes de uma resposta rápida, ações concretas que preserve vidas. Temos fome, precisamos manter-nos vivos em meio a impossibilidade de trabalho e saúde...Olhem para nós e ajam!

A economia não está acima de vidas humanas e nós estamos aqui....

 A letalidade moral é maior que a força do vírus?    
                  
Neste momento tão singular de existência humana segregados em nossos lares, temos tempo de olhar para nós e para os nossos e avaliarmos, refletirmos frente a está pandemia...
Avaliarmos quem merece ser sacrificado em prol da economia deste país?  Qual vida tem mais importância? Qual discurso de fato é o correto? Será que através do meu voto, escolhi o melhor chefe de estado para comandar está nação em um momento como este?

 É tempo de reflexão, isolamento, convivência e solitude, a humanidade reaprendendo como  viver seus dias e a valorizar aquilo que realmente importa.....

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Que onda é essa?

  

 Para o mundo que eu quero descer! 

           Que onda é está que insiste em nos afogar?  

Vivemos um momento delicado como espécie humana estamos perdendo nossa humanidade e empatia. Mergulhados na mais extrema polaridade somos manipulados pelo separatismo político e ideológico..... 

                         A obscuridade do ódio cegou as pessoas a ponto de aniquilar os que não pensam como elas, reduzindo uns aos outros como animais soltos na savana, dispostos a  devorar quem invadir vosso habitat, abatendo a tiros a qualquer um. 

                      Parece que algum botão foi acionado e instalaram o caos permitindo que as ideias e pensamentos mais baixos viesse a tona, e com a chancela da bíblia a bala tornou a razão para tudo. A pequenez humana libertou-se  ganhando passe livre para reinar e inacreditavelmente a consequência disso tudo, está estampado nas manchetes cotidianas, verdadeiros absurdos e mais absurdos.

                     As mídias sociais usadas como ferramenta que só disseminam o ódio, escancaram o preconceito e notícias falsas, com suas barbáries tornam-se verdades absolutas.. 

                          Decretaram o apartheid social e a caça declarada está aberta, a onda agora é acabar com os direitos humanos. Os atores do golpe desdenham da nossa cara, chamando de mimimi de gente preta os gritos que ecoam pelas ruas. Tanta intolerância que  faz dar voz a falsos messias, gente rasa sem escrúpulos e humanidade.
Presenciamos dia após dia a nossa gente ser dizimada, desrespeitada e  aniquilada. Nos colocam em caixinhas em nome do equilíbrio social, do chamado  resgate aos valores tradicionais, a volta da ordem social. 
 Esse discurso é muito parecido com o de um certo ditador que dizimou milhares de vidas. Mas que lugar é este? Que caixinha é esta?  Nos morros, no sistema prisional, longe dos bancos escolares, nos guetos, cortiços, barracos ou em senzalas? 
Vivemos o maior êxodo humanitário que assola todo o mundo. E qual a ordem disso tudo? Que direitos são estes garantidos a uma única raça?

                           Tentamos resistir mesmo diante de tanta intolerância e desrespeito,  sobrevivemos a margem desta sociedade hipócrita e feroz. Hipócrita pois acredita fortalecer seus valores, embebedados no ranço patriarcal e burguês de vossos berços. Feroz, pois é a lei deles que prevalece.  

                            Alimentamos o ódio e esquecemos o diálogo, estamos cegos. A palavra de ordem desta era é a violência, devemos exterminar aquilo que não suportamos os negros, pobres, nordestinos e mulheres, pois assim, tornamo-nos um exercito de acéfalos, prontos para apoiarmos os generais e capitães salvadores da pátria. Estamos desprovidos de humanidade. Que onda é esta? Que fim dos dias são estes?

   Assistimos incrédulos nossa juventude em números alarmantes tirando a própria vida sem compreendermos o porquê. Nossas crianças, mulheres e homens sendo abatidos a tiros nos morros e nas periferias como se fossem animais num safári na África. Abandonados pelas políticas públicas e lembrados somente no pleito eleitoral, uma verdadeira enxurrada de promessas vazias que alimentam esta onda nojenta . 

                        Nós mulheres temos nossos lares  devastados pelo feminicídio, nunca nos mataram e nos violentaram tanto como agora, e o pior de tudo, parece não termos voz. Voltamos a ser objeto nas mãos destes animais que usam nosso corpo e gozam em nossa dignidade nos mais diversos lugares, seja a luz do dia ou no silêncio da noite, somos vítimas.

                         E me diz! O que adianta ligar 180 se é um homem que nos atende do outro lado da linha? Procurar uma delegacia para formalizar uma queixa se é um delegado que debocha da nossa dor. A lei é machista e protege o agressor. 

Será que estamos anestesiados? Porque não reagimos? Que onda conservadora que legitima e justifica todo este retrocesso, que só faz crescer a dor e  a indiferença. Uma onda que mata, discrimina, açoita diretos, limita a nossa existência, nos reduzindo a milhares de esfomeados, desempregados, analfabetos, sem tetos e pedintes por toda parte. 

Crescem os defensores da família. Pergunto-me que família? A deles certamente, porque a maioria das famílias brasileiras não é.... Propagam-se cenas inimagináveis em pleno século 21! Oh dona juíza, vossa excelência manda algemar a Advogada negra na plenitude do exercício da sua função em pleno tribunal. Uma advogada branca jamais teria tal tratamento. E o seu juiz do jogo de tênis? O que foi aquilo? 

Realmente a mulher volta a ser mero produto, estereotipada, julgada e sentenciada pelo crivo desta onda machista e misógina. Que Brasil é este? E a Rede Bobo  ainda pergunta-nos a toda tempo: que Brasil queremos para o futuro? Será que nos dão o direito de sonharmos com um futuro? Que futuro nos aguarda?

A apologia a todas as atrocidades está em alta, tem até candidato a presidência da república defendo a tortura, vomitando asneira que jamais deveriam ser ditas por um ser humano, quiçá por um candidato a  chefe de uma nação.

                         Compactuamos com tudo isso sem muito fazer.....vemos em rede nacional o mando e desmando de uma sistema politico que perpetra a corrupção e legisla em causa própria. E quem nos defende? A intervenção militar? O congresso nacional em sua maioria um covil de ladrões e aproveitadores? O clã de toga preta que com maestria defende o mar de impunidade em que vivemos?


Mais do que nunca temos que ser ativistas, ativistas do que é certo, denunciando aquilo que atenta contra a perda de direitos, contra aquilo ou aqueles que violam o direito a vida, a liberdade, ao respeito, ao amor, ao humano. Não podemos nos  calar, compactuando com esta onda retrograda que insiste em nos afogar!

                                                          #IssoNão!
                                                #EleNão!




quarta-feira, 28 de março de 2018

Mar de Gente!





Caminhávamos todos juntos, unidos por uma causa...
Era um mar de gente, era tanta gente que ...
Por onde se olhava, lá estavam eles.
A multidão  tomou conta das ruas da cidade,
Era um mar de rostos marcados pela vida, pela rotina e neles haviam uma identidade....
Eram trabalhadores  lutando por seus direitos, em seu  cerne professores, eram eles....
Fazendo história, foram 16 dias de aula a céu aberto e a greve histórica ecoou......
Era um mar de gente..
Nossas vozes reverberaram pelos gabinetes, nos lares,
 em rede nacional e até nossas crianças, foram às
 ruas defender seus professores, a Educação está em crise...
E de punhos cerrados, todos juntos, dia após dia,  vencemos a batalha
A mobilização e a representativa nas ruas
Deram legitimidade ao movimento de luta..
Por nenhum direito a menos
E, não teve arrego.
Suspenderam a votação do Projeto de Lei....
Basta de tanta submissão e de  aceitar tudo calado....
Nosso lugar é nas ruas, gritando e lutando por nossos direitos.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

2018


Carrego em mim todas as expectativas necessárias para um recomeço...
Nutro o desejo de que novos desafios e possibilidades aconteçam...
Rego o encantamento por um novo ano...
Esperanço na certeza de que hoje sejamos melhores do que fomos ontem....
Recomeço com o desejo latente de novos dias...
Dias que desconstrua o velho e as limitações presentes em nosso cotidiano...
Certa do comprometimento por aquilo que faço e movida pelo que acredito.
Novas rotas e caminho a serem traçados e muito mais razões para se acreditar que ainda é possível ...
Reine 2018 com dias mais leves...

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Preguiça


Os dias de preguiça sem hora para nada nos fizeram bem.
O corpo doído denuncia a delicia dos nossos lençóis...
O tempo nos garante a paz e a tranquilidade de um coabitar que faz  um bem danado..
A companhia que alegra os dias e encanta os olhos..
O coração  nos conecta mais do que nunca...
E os dias foram assim...
Marinados no vinho, ao som de risos e embebedados de tranquilidade...


sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Luzes que se apagam...



Agosto começa com gosto de saudades, deixando lágrimas em nossos olhos...

Ela chora a perda do seu Luiz juntamente com muitos que sentem a perda do grande Luiz..

A dor da perda é gigantesca para todos. Melodias que serão eternizadas na voz que silencia e a amizade e parceria que se vai, todas a contra gosto...

A surpresa da perda marca no peito a ausência que jamais será reparada e a saudade fica... 

Luzes que se apagam e passam a iluminar outros planos....