" Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar...


Clarice Lispector.


sábado, 28 de março de 2020

Um dia de cada vez...



O dia tem durado muito mais que 24 horas e viver um dia de cada vez tem sido um grande desafio
nos dias de hoje...

O mundo vive a pandemia de um vírus ainda desconhecido, a falta de informação, agregada a desinformação propositiva nos amedronta ainda mais....
Estamos todos assustado com o poder letal deste vírus... Só nos resta acompanhar  diariamente a coletiva de imprensa do Ministério da Saúde a informar sobre o aumento dos números de casos e mortos...Socorro! 

Uma avalanche de descalabros nos soterram, chega a falta ar!!! Levados pelo medo a desinformação cresce junto com o contágio e perdemos a sanidade. Uns acreditam no Messias e outros na ciência. Povo perdido, desgovernado, acuado, assustado e faminto....

A letalidade desta doença nos assusta e aterroriza ao mesmo tempo, e o tempo exatamente ele que tanto nos faz falta e hoje parece esticar-se nos leva a reflexão. Por quanto tempo estaremos confinados? Por quanto tempo viveremos acuados? Por quanto tempo nos sentiremos ameaçados com a possibilidade da perda que nos paralisar?

E são tantas perguntas sem respostas.......

O mundo desacelera, as nações se isolam, as portas se fecham sem data para reabrir. O distanciamento é preciso. Equipes médicas lutam para salvar vidas incessantemente e mesmo assim, presenciamos caminhões do exercito transportando corpos e mais corpos para igrejas e fábricas, que se transformaram-se em necrotérios, pois não existe mais espaço para acomodar tantos corpos sem vida.

Famílias sofrem por suas perdas, choram seus mortos sem a possibilidade de uma despedida, sem um último adeus .....

Ruas vazias, cidades sem o seu ir e vir tão natural da atividade humana, estamos assim, inertes, paralisados pela devastação. Pessoas e famílias confinadas em vossos lares e a vida ganha um novo significado....

Em tempos de smartphones a presença tornou-se demodê. Será? Foi necessário um vírus nos parar para termos a certeza que não!  

E quanta saudades, quantos vazios e ausências? Só damos valor as coisas quando as perdemos ou nos é impostos limites. Nunca um abraço fez tanta falta, a presença se fez tão importante. As relações ganharam um novo olhar, passamos a valorizar todo e qualquer ato e demonstração de afeto, as limitações impuseram um novo vir a ser.... 

Porém, com toda a dor e vazio é  mais que necessário nos isolarmos e redobrarmos nossos cuidados.  O isolamento social garantirá a diminuição do contágio, estamos preservando vidas e devemos continuar assim........

Como se não bastasse a doença, testemunhamos a letalidade moral, psíquica e humanitária da política brasileira. Quanto oportunismo e apatia, quão pequena é a importância da vida humana para alguns....

 Por sorte ou desgraça de uma minoria o vírus que não escolhe quem infectar....  Ele não faz distinção de classe, gênero ou raça. A ameaça é avaliada por alguns como pura histeria, para outros a saúde financeira é mais importante que a necessidade de se preservar vidas e para você? O que é mais importante?

Triste de nós, simples massa de manobra e mão de obra periférica, preta ou migrante, vidas não importa, precisamos da força do seu trabalho. Mesmo sendo a força motora desta nação, seremos nós os mais expostos, somos nós os mais fragilizados e dependentes de uma resposta rápida, ações concretas que preserve vidas. Temos fome, precisamos manter-nos vivos em meio a impossibilidade de trabalho e saúde...Olhem para nós e ajam!

A economia não está acima de vidas humanas e nós estamos aqui....

 A letalidade moral é maior que a força do vírus?    
                  
Neste momento tão singular de existência humana segregados em nossos lares, temos tempo de olhar para nós e para os nossos e avaliarmos, refletirmos frente a está pandemia...
Avaliarmos quem merece ser sacrificado em prol da economia deste país?  Qual vida tem mais importância? Qual discurso de fato é o correto? Será que através do meu voto, escolhi o melhor chefe de estado para comandar está nação em um momento como este?

 É tempo de reflexão, isolamento, convivência e solitude, a humanidade reaprendendo como  viver seus dias e a valorizar aquilo que realmente importa.....

Um comentário: