" Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar...


Clarice Lispector.


quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Essência



Eu frequentemente tenho pensado na vida, dialogo comigo mesma, num monólogo inusitado com meus pensamentos que borbulham milhares de perguntas e respostas prontamente elaboradas que quando percebo....desligo...desligo as fontes que o alimentam, como se isso me fizesse aquietar a alma e silenciá-los....

Percorro milhares de estradas neste diálogo, todas de alguma forma me levam a mim mesma, pois é aqui que estão as respostas para tantos questionamentos. Caminhando sem querer pensar, mais pensando....porquê tanta inquietação, será que temos que ter respostas pra tudo, será que devemos nos pautar tanto pela razão, pela sanidade, pelo equilíbrio???

Caminho em direção a vida, caminho buscando dias mais calmos, embora a calmaria pouco me habita. Meus pensamentos transbordam minha alma e se fazem presentes em palavras, latentes e repletas da minha essência....essência crítica e questionadora, buscando explicações pra tudo, entendimento, respostas....

E quando não as tenho, fico assim.....caminhando sem saber pra onde, questionando tudo que me é apresentado e inusitadamente quero mutar minha essência, para quem sabe, ser mais leve, menos responsável, menos eu....somente neste aspecto. Estou envelhecendo e  o passar dos dias me cobram menos respostas, menos questionamentos, menos dúvidas e muitos, muitos sorrisos.....


quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Controle....




Quem dera poder controlar tudo que nos cerca em doses seguras e não letais. A lógica em querer controlar, talvez esteja justamente no desejo de fazer durar, como se de alguma forma, possuíssemos o poder de determinar a duração das coisas que nos são importantes, do tempo, dos sentimentos, da alegria e da paz mesmo que hipoteticamente ou não....

Somos possuídos por uma sensação maluca que nos invade, nos colocando a prova, nos fazendo ser e ter comportamentos que muitas vezes fogem de nós, nossa intenção é cuidar, zelar pelo bem estar do outro, não cercear. É um controlar ligado muito mais ao bem querer do que ao controle propriamente dito, não no sentido de limitar ações, sentimentos e atitudes...

Adoramos a liberdade que as escolhas nos permitem, adoramos poder ser quem somos  e viver esta plenitude , adoramos amar sem pensar em limitações, rótulos, cárceres e qualquer tipo de controle, isso não combina com os sentimentos que nos habitam, com o desejo de querer somente o bem à quem amamos, mesmo que possa parecer contraditório as vezes.....


Quando se quer bem alguém o tempo todo desejamos que a vida siga um curso seguro, onde possamos seguramente controlar tudo que esteja em nossas mãos, evitar riscos, corações partidos, decepções e expectativas vazias, queremos que nada saia do controle, que tudo aconteça de modo e forma que nos alente  a alma, que pulse o coração e nos preencha por completo, que não  falte nada à ninguém  e que todos e digo todos sejam felizes...

E pensando assim, qual a chave que desliga, como não controlar, como não zelar por aquilo que se acha ter, um possuir que pode a qualquer momento deixar de existir, embora sabemos que a dita "responsabilidade", determina o nível de controle, dita os níveis seguros para equilibrar medos e expectativas, duas nuances que se alternam no controle do quando sentimos e quanto queremos ....

Talvez, exatamente aí, mesmo tudo estando sob controle, somos capazes de perder a cabeça, perder a noção do que é aceitável, do que é controlável, nos tornamos pequenos, incontroláveis quando falamos de sentimentos, não somos senhores de nós quando somos pegos pelos desejos de ter e possuir, cegados pelo que sentimos e alimentamos, escravos dos nossos desejos e  felicidades,  da sensação maravilhosa de se ter um amor, de se ter alguém  que cuide  e zele por nós....

Ainda sim.... ter o sabor do controle é registrar no outro uma parte de nós, ter o poder de escolha e decisão, ditar o rítmo dos dias, do tempo das coisas, do tamanho do querer, dos gostos e sabores a degustar, de escolher as músicas que farão lembrar de nós, da intensidade do beijo, do cheiro que deixa  a presença ....aínda sim..... é uma delicia controlar.....

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Exaustão



Estar em silêncio muitas vezes é me desligar de você, desconectar-me de nós, a ponto de me isolar e desabitar nosso lugar. Esta espera tem me consumido, tem feito de mim alguém que muitas vezes desconheço. Criamos e recriamos o tempo todo coisas em nós, que nem sempre queremos ou aprovamos, mas sintetizam o que sentimos.

Elas parecem nos transportar para partes de nós  que nem sabemos que existem, silencio na busca de equilíbrio, da saciedade das minhas expectativas e me coloco aqui, a mercê de você e das suas escolhas, a mercê do tempo a quem sempre respeitei....

Muitas vezes seu tempo me sufoca, ele se faz de uma forma sempre imposta e ditatorial, é condição necessária para existirmos e coabitarmos. Me colocaste a beira deste caminho há tempos, estou a esperar, velando pelo tempo e pelas resoluções que devem acontecer a sua maneira, uma gestação que aguarda a chegada do crescimento, da maturidade, da independência, da formação, da aposentadoria e até quando? 

Quero quebrar a ampulheta que parece jamais findar, colocando fim nesta espera, espera esta, que pode estar nos distanciando silenciosamente, transformando minha paciência em grãos de areia que o vento sopra nesta queda infinita que não finda nunca..

Me encontro a beira do caminho a espera de nós, suplicando para que minha paciência tenha fôlego, para que meus sentimentos sustentem o passar dos dias, que a espera seja agraciada com a calmaria desejada e que de fato possamos viver o nós...... 

Estou exausta de esperar....